Como funciona o mercado de obrigações
À partida as obrigações parecem instrumentos fáceis de perceber. Uma determinada empresa ou Estado necessita de capital e portanto vai ao mercado financiar-se. Os investidores emprestam-lhe dinheiro e, em troca, a instituição compromete-se a pagar um juro periódico, na maioria dos casos, fixo, além de restituir a totalidade do capital na data acordada (data de maturidade). O raciocínio é lógico e simples.
Mas, nos últimos tempos é comum ouvir que a yield das obrigações da Grécia, ou de Portugal, voltou a subir. Ou seja, o prémio que os investidores exigem para comprar a dívida destes países é maior. Esta “yield” ou “prémio” não são mais que o juro da obrigação. Ora, se o juro foi fixado à partida por quem a emite, como é que este juro sobe e desce todos os dias no mercado?
Como é óbvio, estas obrigações continuam a ser transaccionadas diariamente, agora num mercado denominado de secundário. Seria impensável os grandes gestores de fundos de obrigações (os maiores compradores) ficarem com estes activos em carteira até à data de maturidade – que pode ir até 30 anos – apenas a vencerem juros. Quando eles as compram, fazem-no com a perspectiva de as venderem posteriormente por um preço mais caro.
As obrigações têm uma dinâmica muito própria, a fixar: quando o preço da obrigação sobe o juro desce e vice-versa. É como se fossem dois sacos, onde aquilo que tira de um coloca no outro. Ou seja, imagine que o título foi emitido com um preço inicial de 100 (são sempre emitidas a 100 pontos base) e um juro de 5%. No dia seguinte, o investidor que comprou esta obrigação quer vendê-la mas o mercado só está disposto a pagar-lhe 95, sendo que o juro que o emitente vai pagar será sempre de 5%. No entanto, quem compra a 95 está a ganhar os 5% de juros mais os cinco pontos base que pagou a menos pela obrigação – porque supondo que a mantém até à maturidade, nessa altura, é reembolsado da totalidade do investimento inicial, ou seja, 100 e não os 95 que pagou. E é isso que o juro que sobe e desce todos os dias reflecte: o ganho total até à data de maturidade que, neste caso, seriam 5,5%. Assim, quando se diz que os investidores estão a exigir um juro mais alto, é o mesmo que dizer, que eles estão a exigir um desconto no preço da obrigação.


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