Os CDS estão na moda. Mas sabe o que significam?
Os credit-default swaps (CDS) passaram de ilustres desconhecidos a presença constante na imprensa económica, nacional e internacional. Estes instrumentos tornaram-se protagonistas de uma crise da dívida soberana que assola hoje a generalidade das economias desenvolvidas.
Os CDS são instrumentos que funcionam como um seguro em caso de incumprimento do emitente de dívida. Ou seja, caso quem emite a dívida se veja impossibilitado de conseguir pagar os juros contratados ou o reembolso total do capital investido, a empresa junto da qual fez este seguro irá pagar-lhe tudo o que o emitente lhe devia.
Quando o risco apercebido pelo mercado em relação a determinado emitente aumenta – como tem sido o caso recorrente da Grécia – o preço de fazer esse seguro aumenta também. Geralmente o preço dos CDS acompanha a tendência verificada nas ‘yields’ da obrigação correspondente. Por exemplo, ontem os mercados reagiram positivamente à perspectiva de um real acordo entre os países da Zona Euro na ajuda a prestar à Grécia. Em resultado disso, os CDS negociados sobre a dívida grega a cinco anos eram dos que mais caíam no mundo – corrigiam 60 pontos base para os 366 pontos base. Embora o valor dos CDS seja expresso em pontos base, isto significa que fazer este seguro custava ontem 366 mil dólares por ano para proteger 10 milhões de dívida grega a cinco anos. No fundo, expressa o preço do prémio do seguro anual, quase sempre para 10 milhões de dólares.
Embora esta seja a lógica por detrás destes instrumentos, a recente volatilidade deste mercado (que, em parte resulta do facto de ser um mercado pouco líquido) tem levado cada vez mais investidores a comprar e vender apenas CDS sem que tenham dívida “para proteger” – ou seja, este mercado tem sido apetecível para os especuladores, que fazem aumentar ainda mais os preços destes instrumentos.
Foto | tristanf


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