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Qual o risco de investir em obrigações do Benfica

Artigo de Conceição Marques on Segunda-feira, 5 Abril 2010Um Comentário

O Benfica prepara-se para emitir 40 milhões de euros de dívida, através de uma emissão de obrigações disponível para subscrição até 20 de Abril. Ao subscrever estes títulos recebe 6% de juros ao ano – 4,853% depois de impostos – e o reembolso total do capital investido à data de maturidade, Abril de 2013.

A taxa de juro é atractiva, ainda mais se considerar que o melhor depósito a prazo actualmente disponível no mercado oferece 1,92%, e os certificados de aforro estão a pagar 0,653%, ambos em termos líquidos.

Mas no mercado, maiores ganhos estão geralmente associados a maior risco, e este caso não é excepção. Para quem compra dívida, ou seja, para quem empresta dinheiro, o maior risco é a possibilidade da contraparte não pagar os juros a que se comprometeu ou, chegando à data de reembolso, não ter dinheiro para lhe pagar. Portanto, interessa-lhe perceber em que estado está a saúde financeira desta empresa. E, neste campo, os resultados não são os melhores:

  1. O Benfica fechou a época 2008/2009, com capitais próprios (activo menos passivo, ou seja, tudo o que tem menos tudo o que deve) negativos de 11,79 milhões de euros.
  2. Em apenas dois dos últimos sete anos, o Benfica conseguiu fechar as contas sem prejuízos.

Depois, é preciso perceber que os resultados financeiros de um clube de futebol dependem em larga escala de factores nem sempre muito controláveis: do desempenho da equipa no relvado e da sua capacidade de garantir presença nas competições internacionais, da evolução do valor do passe dos seus jogadores, das receitas de bilheteira, dos contratos de cedência dos direitos de transmissão televisiva, entre outros.

Em contrapartida, desde a divulgação das últimas contas, o Benfica já amealhou 33 milhões de euros com o seu fundo que reúne as maiores estrelas do plantel, e irá renegociar os direitos televisivos em 2013 que actualmente rendem apenas oito milhões de euros. Luís Filipe Vieira já disse que espera ver esse valor aumentar para os 30 a 40 milhões de euros.

Existe ainda um outro risco para quem necessite de vender as suas obrigações antes da maturidade. Dado este mercado ser muito pouco líquido, é possível que tenha de se sujeitar ao preço que os eventuais compradores queiram pagar. E pode deste modo ter de vendê-las a um preço mais baixo do que comprou, incorrendo assim em perdas.

Foto | crystiancruz

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